sábado, 22 de setembro de 2012

"Sobre as flores
Seus espinhos tão invisíveis..."

A flor nasceu
roxa
linda e pura.
O talo branco
esconde,
atrai
Cada navalha
sob as folhas
Pinta de vermelho
mãos e punho.
Insana, querida
viciante
Flor roxa.

domingo, 16 de setembro de 2012

"Sobre o novo dia,
e o brinde à porta aberta que deixa o sol entrar.."

O sol acorda,
de longe espia entre as nuvens,
tão tímido quanto
minhas bochechas inchadas.
Cada verso contado
medido.
Cada flor roubada
pra mesa do seu café.
.                          (na cama)
Flor de menina,
tão pura quanto os desejos
que confessa e desperta.
na mesa ou na cama.
"Sobre os lugares,
dos mais importantes cheiros e tons..."

Uma cidade cresceu
debaixo de uma arvore,
tão bela e tristemente doente.
Sua flor branca e pequena,
agora cai sem mesmo
o perfume gritar,
e aquelas que conseguem gritar,
são só dor e desespero.
Pego eu mesmo uma delas,
esmago entre os dedos pra sentir,
sinto, e muito.
Sem sequer ouvir mais
grito algum.

domingo, 2 de setembro de 2012

"Sobre saudade(s)...
todas elas em quatro ou seis lados..."

A melancolia da noite
da lua nascendo atrás de um prédio.
Concreto de tantos lados,
tantos pedaços quebrados do espelho.
Um, dois e até três
lados de um dado viciado,
criado por um dono tão viciado quanto.
A poeira branca da mesa,
da lua e do mármore da lápide.
A tristeza infundada,
afundando na tristeza da saudade.
A falta gritante do hoje,
e as contorções do ontem.
Cada inspiração das letras,
todas aspiradas de dentro do prato.
Ah a falta desse lado da moeda,
jogada pra cima sempre perco.
Parado.
Naquela esquina onde deixei meu pacote,
levaram minha vontade pra longe,
poesia, violência e vários vícios.
Pergunto a Lua na janela,
precisava estar tão longe?

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Sobre outro lado
a parte adormecida que grita amordaçada..."

Saído das sombras,
do lado escuro que escondo,
perdido na claridade do momento.
As musicas já anunciavam seus braços,
tentáculos cruéis,
da minha própria insanidade.
Me assusto com a violência
que cresce latente na ponta do dedo,
que coça carente de pólvora.
O copo concorda como canudo,
que descorda de todo o resto,
só quero fazer esse lado dormir.